SOBRE A UCAM

Desde 1902, recusamo-nos a ser um empreendimento lucrativo. Organizamo-nos ao fio da prestação mais barata – se não simbólica – para atender à fome de ensino da baixa classe média, dos caixeiros e balconistas, que acorriam à carreira nova e à profissionalização capaz de levar-lhes a segurança do emprego e o melhor de seu conhecer. De logo, Candido Mendes Sênior, o Conde, advertia os seus de que educador não é vendedor de água. Ou seja, aproveitador da dramática escassez desses serviços nos países subdesenvolvidos, a transformá-lo no sobrepreço possível, não no sobrelucro acintoso à pobreza nacional.


Ao se criar a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas em 2 de junho de 1919 – o primeiro ramo já da nossa trajetória universitária –, assentava-se o primeiro instituto universitário de pesquisas do Rio de Janeiro. Plantava-se a semente, de forma profética. Entendiam os fundadores que de nada adiantaria a formalidade da transmissão do conhecimento sem o choque da experimentação, num país acostumado à exaustiva reprodução dos modelos de além-mar e ao disfarce da realidade, em que se apoiava. Insistimos na promessa e na teima do que veio a ser, em 1963, a concretização, sob a mesma sigla, da primeira organização privada de pesquisa em Ciências Sociais, que é a da nossa Casa das excelências, agora na Praça Pio X.

Criada a primeira Faculdade de Economia e Contabilidade Superior no país, junto com a Álvares Penteado, em São Paulo, mantivemos, até o fim dos anos 1930, o papel de provedores do currículo final dessas disciplinas. Pressentimos o estudo científico do poder a, finalmente, se transformar na primeira pós-graduação de Ciência Política no país em 1967, a que se somava a de Sociologia no mesmo grau de exigência acadêmica. Ideamos, como Clark Kerr, a multiversidade, não o perfil clássico e pobre dos estudos apinhados num campus único.

Pensamos num padrão nítido da nossa oferta básica de Ciências Sociais – Direito, Economia, Administração, Contabilidade Superior – na sua matriz da Praça XV.

M
oveu-nos a ideia de reproduzir esse mesmo módulo de excelência e tradição, bateado há mais de meio século, em outras áreas do espaço do Rio de Janeiro. Reproduzimo-lo em Ipanema, oferecendo outra opção de ensino em área tradicionalmente delimitada, então, entre a tarefa da PUC e da Santa Úrsula. Continuamos com o implante em Campos e em Friburgo. Presidira a expansão a ideia de se criar um primeiro espaço didático privado, a cobrir progressivamente toda a dimensão do estado. Tratava-se, ao mesmo tempo, de evitar as migrações forçadas do estudantado dentro do Rio de Janeiro, com o risco, muitas vezes, de cortar na flor – com a falta de volta à terra matriz – vocações, no Norte ou no Centro Fluminense, capazes de dar o melhor de si, se retornassem, de fato, ao meio em que despontaram. Avançariam, a seguir, os campi de Niterói, Tijuca, Méier, Jacarepaguá, Penha, Araruama, Santa Cruz, Bangu, Padre Miguel e Guadalupe.

N
o fio do dizer, não calamos no autoritarismo, e no inverno da polêmica que emudeceu o Brasil, seu debate e suas franquias de espírito, a partir de 1964. Durante os anos do regime militar, pôde a Candido Mendes convidar diversos pensadores internacionais, manter em dia a inquietação do conhecer brasileiro e abri-la às exigências do humanismo. Arnold Toynbee, Gunnar Myrdal, o juiz Douglas, da Corte Suprema americana, Edgar Morin, Bob Kennedy, Paul Rosenstein-Rodan, Georges Lavau, Everett Hagen, Samuel Huntington, Alex Inkeles, Talcott Parsons, todos, protopersonas, deram-nos a sua palavra e o rumo dos seus conheceres, num país emudecido.

S
ão 11 décadas de uma velha paixão pela excelência, que se guarnecem de uma fartura de educadores ou de devotos da sua exclusiva convicção do que seja o melhor serviço. Na sua premonição, ou na teima dos valores do passado, nos cursos e teores do aprendizado oferecido, mantivemos o Direito Romano e abrimos os primeiros cursos de Direito Público Econômico. Insistimos na Deontologia Jurídica e implantamos o primeiro curso de Prática Forense – o FUCAM –, antes das práticas dos Exames da Ordem.

C
asa da comunidade e não da ação entre amigos. Feroz nas suas crenças e na verdade intransitiva de uma paixão e de um donaire, no que herdamos, nesta faina e nesta obsessão, de Candido Mendes Sênior (1902-1939) e de Candido Mendes Junior (1939-1962).

Candido Mendes

 

 

Reitor: Candido Mendes   ||   Vice-Reitora: Maria Isabel Mendes de Almeida